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por Leonardo Amaral
Los Viajes del Viento, de Ciro Guerra

por Leonardo Amaral
Conversávamos outro dia sobre uma espécie de estética do submundo, que vai às favelas, às mazelas, para tentar representar tudo isso sobre uma nova visão, seja ela realista, seja por um lirismo poético. Ambas recorrentes, ambas, em muitas vezes, problemáticas. O realismo forte incorre em uma estética viciada e uma impressão quase sempre de repetição. O lirismo poético tem o problema de lançar uma visão tão naïf que pode se tornar irritante. Em alguns momentos, Los Viajes del Vento cai nas armadilhas dessa poesia do relevo, mas acredita tão fielmente naquela história, que acaba por vencer algumas dessas barreiras.
O filme de Ciro Guerra se constrói na paisagem, principalmente pelo uso que faz da imagem em scope. São belas imagens das montanhas colombianas, filmadas numa variação entre planos gerais e planos-detalhe, quase sempre no acordeón, o grande símbolo do filme. São dois os viajantes, que, literalmente, saem ao vento sem perspectivas (um deles, mais velho, acabou de perder a mulher, sendo seguido pelo segundo, um jovem que deseja encontrar algo que lhe dê condições de seguir a vida e retornar à vila de onde parte).
Los Viajes del Vento é o processo, um road movie que, em momentos, é também musical. E é exatamente nesses instantes que o filme é mais interessante, quando está em sua fração mais documental, como no momento de um desafio musical entre dois desses "repentistas", ou na cena em que o jovem toca tambor entre outros músicos. Guerra faz praticamente um documentário sobre a cultura dos tocadores e trovadores de acordeón na Colômbia.
Filmes Citados:
Los Viajes del Viento (idem, 2009 – Ciro Guerra)








