Habemus Papam, de Nanni Moretti (Competitção)

 



por Ursula Rösele

Derivado do latim, o termo habemus papa significa “temos Papa”. O cardeal mais velho do Vaticano anuncia a eleição de um novo Papa na varanda da Basílica de São Pedro, assim que o eleito aceita sua incumbência. Com sua tradicional veia cômica, Moretti adentra neste universo oferecendo um olhar de dentro, que busca humanizar ao máximo as figuras beatificadas pela religião católica, revelando seus medos, inseguranças e angústias com sua posição dupla de santidades e mundanos.

O Papa eleito apropria-se das vestes papais e segue rumo à varanda. Durante toda a pompa que envolve a expectativa por esse anúncio aos olhares do mundo inteiro, o Papa de Moretti sofre uma crise de pânico e literalmente sai correndo. A premissa, engraçada em sua essência, é abordada pelo diretor de maneira fluida e repleta de pequenas gags e provocações. Porém, na segunda metade, o filme vai perdendo sua força e abandona o caminho prenunciado para dar vazão a um movimento por demais dependente da abordagem humorística.

Protegido pelo fato de ser um rosto basicamente desconhecido, o novo Papa foge do Vaticano e sai às ruas, experimentando a realidade que lhe fora tomada assim que optou por esse caminho. Entre declamações de Tchecov, sessões de terapia e desabafos a desconhecidos, o Papa torna a ser um homem comum. Habemus Papam é um filme irregular sobre uma realidade desconhecida, praticamente inacessível.  Porém, não passa muito disso – um Papa sem condições de lidar com a responsabilidade que tal função exige, em meio a um mundo de fato mais instigante que a clausura do Vaticano.

*Visto no Festival de Cannes 2011.

Filme Citado:

Habemus Papam (idem, 2011/Nanni Moretti)     

 

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